Uma estranha no ninho
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Primeiro dia de aula
Completando um ano e meio de faculdade quero contar como tudo começou. Primeiro que foi um susto eu ter passado (estava na posição 200 do vestibular para 80 vagas). Não esperava que a lista rodasse tanto. Foi uma correria enorme para tirar cópia de documento e autenticar td em cartório além daquela felicidade enorme que vem junto. Cheguei com meia hora de antecedência e tinha uns 3 nego na sala. A primeira coisa que vi foi escrito na lousa "os alunos que fizeram matrícula até dia 02/03 irão realizar a provinha amanhã". Como assim!? Acabei de chegar e amanhã já tenho prova?? Conforme o pessoal ía chegando reparei que todas as meninas estavam com camisetas largas, de cabelo preso e sem nenhum acessório. Na hora pensei "ainda bem que eu fiquei com preguiça de pintar as unhas e não inventei de vir com maquiagem". Então veio uma menina falar comigo que a chamarei aqui de LILO e disse que todo mundo se vestia daquele jeito e me passou o e-mail e a senha da sala, disse que eu teria prova amanhã e falou pra eu me enturmar. A professora entrou, deu a aula (que eu não entendi porra nenhuma, mas me preocupei em anotar de qualquer jeito). E em seguida falou de um trabalho em grupo pra entregar no final do semestre. E eu tive que entrar em um grupo sem conhecer ninguém. Até tinha conversado com umas meninas na hora do intervalo que sentiram meu sentimento de estar perdida e me acolheram por um tempo. Mas um outro moleque chegou a perguntar se eu queria entrar em um outro grupo antes e eu acabei aceitando antes das meninas perguntarem se eu queria ir com elas. Acho que eu tivesse ido com elas minha vida seria bem mais fácil hoje. Acabei entrando em grupo com mais 4 meninos. Só eu de mulher. Acabei me sentindo meio desconfortável com isso. Mas comecei a conversar com um deles, me sentir mais confortável, até saber que eu não teria aula a tarde (sendo que eu achava que teria e iria ficar lá o dia inteiro) e o garoto com quem eu estava conversando me chama para ir na "masmorra". Fico me perguntando o que é "masmorra"?. Então eu fui com eles seguindo o fluxo, sem pensar muito. Acabei descobrindo depois que masmorra era uma república e as "bixetes" (meninas da minha sala, feminino de "bixos", calouros de faculdade) tinham a missão de dar banho no cachorro da república. Eu até tentei ajudar, mas elas ja estavam acabando. Almocei junto com eles, nisso um dos veteranos me perguntou por que eu não estava vestida de bixete. Eu, não só eu, foram mais as outras meninas responderam que eu tinha chegado hoje. Disseram que eu comecei bem, cheguei e já tava dando banho em cachorro kkkk. A gente ficou lá por mais um tempo e quando estávamos indo embora um dos garotos do meu grupo pediu para as meninas ajudarem com a mudança de quarto de dois membros de uma outra república, a "oca". A trouxa aqui resolveu ir também, afinal ele disse que as menias iriam carregar travesseiros, roupas e coisas do tipo enquanto os meninos carregavam os móveis. Não custava nada ajudar. Ilusão minha de que achava que era fácil assim. Acabei carregando guarda-roupas, tentando passar ele para o outro quarto, mesmo sendo grande demais para passar pela porta huashuashau. Foi divertido, apesar de cansar. Até que uma hora as duas meninas das quatro que tinham dado banho no cachorro que ajudaram resolveram deixar eles e irem embora e eu as acompanhei. Elas ainda iriam passar numa lanchonete pra comer tapioca, mas eu decidi que era demais pra mim, já tinha sido o suficiente para um dia de aula na faculdade. fui embora, errei o caminho pra ir pra casa, demorei mais de uma hora pra chegar, andando A PÉ, e depois quis estudar para a "provinha" que tava escrito na lousa que eu teria no dia seguinte. As meninas que andaram comigo no intervalo falaram a matéria e disseram que tinha no e-mail da sala. Imaginem a surpresa que eu tive quando descobri que tinha anotado o e-mail ou a senha errados e não consegui entrar. Acabei estudando pesquisando na internet e estudando pela Wikipédia kkk. Mas no dia seguinte descobri que tudo o que caia era matéria de cursinho, que eu já tinha visto por várias vezes. Foi um belo primeiro dia de aula.
Cabelo liso FAKE
As admiradoras das campanhas "to de cacho" e "solte as ondas" que me perdoem, mas eu não troco meu alisamento químico por NADA nesse mundo. Desde que eu era criança eu nunca gostei do meu cabelo cacheado. Minha mãe tinha cabelo liso e eu me pergunto até hoje por que eu não herdei os genes dela que deixariam meus cabelos lisos e maravilhosos. Antes de continuar, eu quero dizer que não tenho nada contra quem tem cabelo cacheado, super apoio quem resolveu deixar a química e a chapinha de lado, e tem muitas meninas que ficaram lindas com os cabelos naturais. Tudo o que eu disser aqui é a respeito do MEU cabelo. Eu meio que criei um certo trauma de cabelo enrolado. Nunca gostei do meu cabelo, no ensino fundamental e médio cheguei a sofrer bullyng por causa dele. Eu já odiava meu cabelo por natureza e ter mais gente falando mal dele só me fez ficar pior. Acho que começar a fazer progressiva foi uma das melhores decisões que tomei na vida. O resultado nem sempre foi o que eu esperava, mas facilitou bastante por um tempo. Mesmo agora com 20 anos, minha reação ao ver meu cabelo enrolado, de um jeito que eu não quero minha reação ainda é a mesma de quando eu tinha uns 8 anos: eu começo a chorar. Sério. Vou ser uma escrava de escovas progressivas e chapinhas PRA SEMPRE. Mesmo me dedicando, o resultado depois de um dia na praia sem tomar cuidado ainda é o mesmo. O ponto mais fraco da minha auto-estima sempre foi e sempre continuará dendo o mesmo: o cabelo. Se tivesse qualquer coisa que eu pudesse mudar no meu corpo, seria isso. Nunca tive dúvidas a respeito disso. E nunca vai mudar.
P.S.: Eu sei, eu sei, estou muito sumida, mas não faria sentido comentar os fatos atuais antes de falar das coisas que me fizeram chegar até aqui. Vou tentar contar essas coisas ainda nessas férias antes de ter minhas energias consumidas por provas e trabalhos da faculdade.
P.S.: Eu sei, eu sei, estou muito sumida, mas não faria sentido comentar os fatos atuais antes de falar das coisas que me fizeram chegar até aqui. Vou tentar contar essas coisas ainda nessas férias antes de ter minhas energias consumidas por provas e trabalhos da faculdade.
domingo, 26 de junho de 2016
Panorâma geral
Primeiramente, não era a minha intenção começar o blog e abandoná-lo logo em seguida, mas o final de semestre foi puxado, com muitas provas e pouco tempo. Em segundo lugar, declaro oficialmente no meu momento mais fossa. Sinto que não há nenhum aspecto da minha vida que eu esteja completamente feliz a respeito. Na faculdade, o que deveria ser os melhores seis anos da minha vida, não tenho amigos, entro, assisto a aula e vou embora, sem falar com ninguém. No máximo "bom dia" ou alguma coisa relacionada com trabalhos de grupo. Atividades extracurriculares são inexistentes na minha vida. Meus amigos de verdade eu vejo de vez em quando, são sempre bons momentos, porém escassos. Minhas notas melhoraram bastante em relação ao ano passado (quase peguei exame das 3 matérias base, fui pra exame final de uma delas), mas ainda acho que podiam estar melhores. Os pensamentos suicidas melhoraram por eu estar concentrada demais em estudar e tirar boas notas, mas não sei como vai ficar nas férias. Financeiramente me viro bem com 200 reais por mês pra comida/xerox/festa e não peço mais dinheiro aos meus pais pois que acho que eles gastam demais pagando a faculdade. As únicas pessoas que me fazem feliz no meu dia a dia são essas criaturas, "pai" e "mãe" (sou filha única). No amor, é uma tragédia a parte, a qual eu prefiro deixar um dia pra falar só disso. No mais, eu me sinto completamente solitária, vivendo em um mundo paralelo na minha própria cabeça.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Passado...
Parecia que foi
ontem. Vi uma menina da minha sala com um machucado no pulso, em forma de I.
Uma colega de sala perguntou: “Como você
fez isso? ”. Então ela respondeu: “Com o compasso”. Claro, ela tinha feito isso pensando em alguém que tinha
essa inicial e significava muito para ela. Ela tinha feito no tornozelo
também. A diferença entre ela e eu é que ela só tinha feito isso uma vez, e eu
continuo me machucando propositalmente até hoje. Na época eu não pensava que
seria capaz de fazer isso comigo mesma. No mesmo ano, mais menos, passou uma
série no SBT sobre um serial Killer e tinha um personagem com um estilo muito
sombrio, que eu, na minha inocência de 12 ou 13 anos entendi como “estilo
gótico”. Então ele me inspirou e eu decidi que seria gótica (não que isso tenha me deixado
do jeito que sou hoje, mas ajudou, com certeza). O personagem que me inspirou a
isso se chamava JD (sim, JD. A série se chamava Harper’s Island). Então eu
escrevi JD no meu pulso. No meu tornozelo. E na mão esquerda. Tudo feito com a
ponta afiada do compasso. Mas não parou por aí. Depois que o "JD" sumiu eu fiz a primeira inicial
do garoto que eu gostava na época. Depois, a minha própria inicial no meu pulso. E
conforme elas iam sumindo eu fazia novas. Até que passei a ignorar qualquer
significado que elas assumissem e comecei a me cortar simplesmente por machucar
a mim mesma. Usei uma Gillette especialmente para isso. Depois, mais tarde,
descobri que dava para tirar o parafuso do apontador para separar a lâmina e
usar para cortar a pele. E a cada dor nova dor, cortes novos. Cicatrizes novas.
Hoje, tenho muitas cicatrizes. E eu tinha parado com isso há mais de um ano
atrás, mas eu voltei a me machucar de novo. Com quase 20 anos. Queria ter
deixado tudo pra trás mas estou fazendo isso de novo. Toda a dor direcionada
para mim mesma. E agora, escreveria suas iniciais no meu punho. Ou no meu
tornozelo. Escreveria até mesmo seu nome inteiro na minha testa, se isso fosse
necessário pra provar que eu te amo e queria você de volta pra mim. Mas sei que
isso só te deixaria mais decepcionado e te afastaria mais de mim. Então não
posso fazer isso. Enquanto isso, eu tento ficar sem te chamar no WhatsApp ou no
Mensenger para tentar te ter de volta um dia, mesmo sabendo que isso possa
nunca acontecer.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
E lá vamos nós...
Sejam bem vindos ao lado mais sombrio do interior da mente desta pessoa que vos fala! Basicamente sou apenas uma garota (mais ou menos) normal nascida em 1996. Podem me chamar de Lucy. Não irei me identificar aqui por motivos que se revelarão óbvios futuramente.
Já tentei começar um blog algumas vezes mas acabava não passando da primeira ou segunda postagem e espero que com este seja diferente.
O motivo de estar fazendo isso em meio ao segundo ano da faculdade de medicina, mesmo sob muitas provas, trabalhos e falta de tempo crônica é que eu não aguento mais. Eu tenho alguns problemas psicológicos e prometi a alguém que iria tentar melhorar. Me lembrei de que em 2013 eu mantinha um diário, o que me ajudou muito na época e por isso resolvi começar um blog. Não um diário dessa vez, porque um blog é um modo de deixar amáveis desconhecidos opinarem sobre a minha vida em vez de guardar todos meus pensamentos escondidos em uma agenda no guarda roupa (apesar de achar que ninguém vai ler essa porra).
O nome do blog foi escolhido nessa noite em que criei ele e essa primeira postagem, foi um nome espontâneo e que resume a sensação de que eu não me encaixo em lugar algum. E eu gosto de referências. A URL eu já tinha tinha pensado muito nela antes e acho adequada pra mim. Uma vadia, magra (causas genéticas, amo fazer gordices) reprimida por um comportamento tímido, com receio do que os outros vão pensar e um medo exacerbado de ser rejeitada. Uma máscara que acaba caindo quando bebo demais. No fundo, uma puta, desesperada por receber amor.
Agradeço desde já aos que tiverem paciência pra ler o que estiver aqui, porque eu mesma não me aguento e sei que quando escrevo acabo me estendendo demais. Beijos, espero que gostem e acompanhem :))
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